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sábado, 11 de abril de 2015

Brasil gasta mais de R$ 16 bilhões por ano com acidentes de trânsito

acidentes com caminhoes
O Brasil gasta, em média, R$ 16,1 bilhões em decorrência de acidentes de trânsito. Do montante, R$ 10,7 bilhões é o custo decorrente das mortes. O restante, R$ 5,4 bilhões, com os feridos. Os dados estão no Retrato da Segurança Viária 2014, elaborado pelo ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), e compila informações do Datasus, ligado ao Ministério da Saúde, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) e da ANTP (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros), de 2012. Para se ter uma ideia, o montante é tão grande que apenas 35 dos mais de cinco mil municípios brasileiros possuem PIB (Produto Interno Bruto) superior a esse valor.
Por ano, cerca de 45 mil pessoas morrem nesse tipo de ocorrência e mais de 177 mil ficam feridas. Os dados mais recentes também são de 2012. As estatísticas colocam o país na posição 148 em um ranking internacional de segurança no trânsito, atrás até mesmo da Índia, reconhecida pelo caos no tráfego. As políticas de enfrentamento ao problema e o papel dos municípios foram temas debatidos durante o III EMDS (Encontro de Municípios com o Desenvolvimento Sustentável), nesta quinta-feira (9), em Brasília (DF).
“Os dados são alarmantes e nós não percebemos a existência de uma política de estado de combate a esse problema”, avaliou Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da ANTP. “A sociedade já tem um diagnóstico, conhece os fatores de risco: velocidade, álcool, ultrapassagens perigosas, avanço de sinal, atropelamentos . É agindo sobre eles que podemos ter sucesso em reduzir esses números”, reforçou. Na avaliação dele, faltam ações coordenadas entre os órgãos de trânsito e o que mais preocupa é a ausência de ações permanentes e efetivas por parte dos executivos.
O diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurelio Ramalho, considera que uma das falhas centrais está na educação para o trânsito, especialmente na formação de novos condutores. “O sistema está preparado para adestrar motoristas. Todos decoram as sinalizações de trânsito para passar na prova. As pessoas não são preparadas para refletir sobre as atitudes que devem ser tomadas e os riscos envolvidos”, destacou.
Municipalização do trânsito
Além disso, o enfrentamento ao problema passa pela municipalização do trânsito. Apesar de o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) prever que todos os municípios devem assumir essa responsabilidade, apenas 26% atendem à determinação. Conforme Ramalho, o envolvimento das prefeituras é essencial, para que as ações ocorram de forma adequada à realidade local. É papel dos municípios realizar o monitoramento de dados estatísticos, cuidar da engenharia, da operação, da fiscalização e criar as escolas públicas de trânsito. “É nas cidades que as coisas acontecem”, salientou.
O problema, disse ele, é que, diferentemente do que ocorre com outros setores, como saúde e educação, não há destinação de uma verba específica para essa área, o que leva as prefeituras a enfrentarem dificuldades financeiras para se adequarem à lei. Na opinião de Ramalho, esse tema deve ser debatido pela União, estados e municípios.
Publicado em 10/04/2015 no Blog do Caminhoneiro.

terça-feira, 3 de março de 2015

A nova realidade dos Caminhoneiros no Brasil

Com a evolução dos novos tempos está exigindo que o exercício da liderança dos representantes dos caminhoneiros evoluam para que tenhamos pessoas preparadas para gerir os interesses da categoria em busca de melhorias na qualidade de vida dos caminhoneiros. Vivemos num momento de mudanças rápidas, que exige uma gestão pública que tenha sensibilidade para perceber as necessidades dos profissionais diante dos novos tempos.

            O atual movimento dos caminhoneiros é resultado de um afastamento gradual do que vem acontecendo nos últimos anos entre os gestores públicos do transporte, a representatividade dos caminhoneiros e os caminhoneiros do Brasil. Desde 2012 existem sinais bem visíveis para quem estava atento as reivindicações dos caminhoneiros, porque em diferentes momentos surgiram manifestações contrárias sobre determinados pontos da lei do motorista e dos aspectos socioeconômico da categoria.
           
O modelo atual de gestão pública dos transportes requer que tenhamos pessoas competentes e comprometidas com o interesse público no sentido de identificar as oportunidades de melhorias dentro do setor de transporte rodoviário, para que os gestores possam tomar as melhores decisões a favor de um crescimento sustentável para toda a cadeia logística.

É natural perceber que os caminhoneiros estão cada vez mais se organizando para poder reivindicar melhorias para a sua categoria profissional, quando percebem que suas lideranças formais não buscam agir junto aos legisladores públicos. É natural que surjam lideranças informais para que possam fazer frente a comportamentos passivos diante de reinvindicações inadiáveis para o setor de transporte de cargas.

É importante que tenhamos lideranças formais e informais comprometidas, que saibam administrar preventivamente os possíveis conflitos dentro da categoria profissional, para isso é necessário que as pessoas que assumem serem representantes de uma categoria estejam preparadas emocionalmente e tecnicamente para darem os melhores exemplos e resultados no exercício profissional.

Os caminhoneiros estão pedindo atenção e respeito aos legisladores, para que sejam ouvidos suas reinvindicações no sentido de uma revisão imediata nas políticas públicas do setor de transporte rodoviário de cargas.

É oportuno lembrar que a representatividade de uma categoria é estar presente junto às decisões, para que possa fazer uma leitura preventiva e intervir nos momentos estratégicos, no sentido de bem administrar os interesses da categoria profissional.

Considero que o momento é viável para que existam mudanças de políticas públicas que realmente venham atender as necessidades dos caminhoneiros e do setor de transporte rodoviário de cargas para que tenhamos um crescimento sustentável para todos brasileiros. Que todas as lideranças tenham muita luz e sabedoria para tomar as melhores decisões no projeto de vida!

 Lembrete: O Caminhoneiro é o líder da operação logística! Pense nisso!

Eng. José Rovani Kurz, Palestrante, Consultor e Professor Universitário.
Autor do Livro Motorista Comprometido: um diferencial para os novos tempos – 2014.
Contato: treinamentos@highpluss.com.br


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Palestra Motorista Comprometido na Aceville em Joinville

Arquivo: HighPluss, 2014.

Arquivo: HighPluss, 2014.

Arquivo: HighPluss, 2014.

08/12/2014 - Palestra sobre Motorista Comprometido na Aceville em Joinville.

Muito agradeço ao Sr. Ari e sua competente Equipe de Trabalho pela acolhida em receberem novos aprendizados na gestão da segurança no trânsito e estarem comprometidos com a evolução da qualidade dos serviços prestados pelos motoristas e demais colaboradores da empresa.

Na oportunidade foi apresentado o Livro Motorista Comprometido e abordado diversos temas focados na realidade do motorista, liderança do motorista, comprometimento profissional e a qualidade dos serviços logísticos prestados aos clientes. 

É importante a discussão sobre a segurança veicular  nas cidades e estradas, para que possamos desenvolver novos aprendizados e estarmos preparados e comprometidos para saber lidar com os diferentes comportamentos no trânsito. Quem acredita, Pratica!

Abraço e muita luz a Equipe Aceville!

José Rovaní
HighPluss Treinamentos - Joinville
Contato: treinamentos@highpluss.com.br
"Cinto de Segurança e Direção Defensiva salvam Vidas!" Pratique!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um pouco de história dos caminhões do futuro


Volvo-Concept-Truck-2020-15
Os Concept Truck (caminhões-conceitos) são protótipos desenvolvidos com o propósito de buscar inovações que tragam mais eficiência ao transporte. Servem como um laboratório de pesquisa, resultados de novos designs que possam reduzir o coeficiente de resistência aerodinâmica, aumentar a inteligência embarcada, segurança para que haja a menor dependência da intervenção do motorista, tudo sem perder de vista a redução de custos operacionais. Muitas inovações que podem parecer impossíveis hoje, mas, para o futuro, viáveis. De qualquer forma, esses veículos são excelentes ferramentas de marketing porque, através deles, a indústria pode mostrar ao mercado que tem projeções, que desenvolve inteligência e que estão na vanguarda avaliando ideias novas que poderão ser funcionais.
Paralelamente a isso, a indústria de insumos também faz o seu papel, desenvolvendo pneus mais duráveis, transmissões mais amigáveis e até matéria-prima mais leve.
Quem imagina que essas inovações são uma cultura atual da indústria, chegando junto com o advento da informatização, engana-se. Os caminhões-conceitos são desenvolvidos desde a década de 1980, precisamente na era Virages e Pegaso, na Europa.
Muito se evoluiu desde o Virages – este, um precursor do atual Renault Magnum. Prova disso são os departamentos de designers das fabricantes que seguem surpreendendo com novos e vanguardistas exercícios de imaginação, alguns mais próximos da realidade que se tem hoje e outros mais no “campo das ideias” – estes, porém, querem encenar, além da estética futurista, conceitualismos que podem avançar à medida que a tecnologia também avança, mesmo porque é necessário ser acessível para se tornar real.
O Salão de Hannover, na Alemanha, em 1992 foi palco do primeiro Concept Truck, o Mercedes-Benz EXT´92 cujos atributos estavam, além da aerodinâmicas na segurança. Quatro anos depois, esse estudo resultou na primeira geração do Actros.
Com uma excelente aerodinâmica, a Renault Trucks apresentou no mesmo Salão, edição de 2004, o Radiance. Seu desenho externo exibe linhas modernas, o para-choque em formato de arco, a cabine de ampla área envidraçada, foram algumas das propostas que a grife de caminhões francesa quis mostrar no que se refere a aerodinâmica e segurança.
Mais tarde, em 2010, Hannover volta a ser palco de conceitos. O então presidente da MAN, Pachta-Reyhofen, mostrou o Concept S, um estudo criado como um cavalo-mecânico, com uma forma totalmente aerodinâmica, que rendeu até 25% menos de CO2 se comparado aos veículos convencionais com tecnologia Euro 5. Com o Concept S, a MAN quis mostrar o que ela está desenvolvendo para contribuir com o atual tema sobre os limites de emissões.
Nesse mesmo Salão de Veículos Comerciais – o maior do mundo –, a italiana Iveco apresentava o Iveco Glider, fruto de um processo criativo que começa na observação da natureza, um caminhão capaz de oferecer produtividade com menos impacto ao meio ambiente. Apesar de ter um desenho bem próximo da realidade, ou seja, não seria difícil encontrá-lo pelas estradas nos próximos 10 anos, o Glider foi desenvolvido para ser mais eficiente em termos de economia de combustível e, consequentemente, de emissões. A aerodinâmica é um dos destaques do modelo, o coeficiente foi reduzido em 8%. Todas as aberturas da cabine são controladas eletronicamente e só abrem quando necessário, em baixa
velocidade e pouco fluxo de ar. Andando mais rápido, elas se fecham parcialmente reduzindo o arrasto e a força necessária para mover o caminhão, que utiliza painéis capazes de gerar energia renovável a bordo. Ainda por meio do sistema denominado KERS (Kinetic Energy Recovery System), permite recuperar energia suficiente para alimentar a maior parte dos sistemas auxiliares (climatizador, compressor, bombas etc.) que se converteram em sistemas elétricos. Esse sistema de recuperação de energia cinética permite reduzir as necessidades energéticas do veículo em até 5%. O Iveco Glider também foi palco da edição brasileira do Salão do Transporte, a Fenatran 2011.
No entanto, ao que tudo indica, para um futuro, ainda que mais distante, os caminhões poderão ser próximos dos conceitos da MAN e da Renault, com cabines mais modernas, que por dentro privilegiam conforto para o motorista e fora, a aerodinâmica em favor da redução de custos operacionais que, consequentemente, contribuíriam para a questão de emissões. Serão caminhões com inteligência embarcada suficiente que minimizará mais as deficiências e erros dos motoristas.
A respeito desse tema, hoje temos os câmbios automatizados, sistema de troca de marchas inteligente, que dispensa a intervenção do motorista na troca de marchas e, com isso, reduz erros na operação. Os resultados são menores paradas para manutenção, menos gastos com combustível e mais produtividade para o motorista que não precisa ficar “cambeando” marcha. Algo similar acontece com os sistemas de saída em rampa, controle de velocidade e outros sistemas que “antes” pareciam complexos.
Uma visita ao futuro
Uma das vantagens dos Concepts Trucks é que, por meio deles, os engenheiros mostram como entendem o transporte e os caminhões para as próximas décadas. A exemplo disso estão o Volvo Vision 2020 e o Renault Trucks Connect. A fabricante sueca destaca futuras composições que podem ser mais adequadas para daqui oito anos, enquanto que a fabricante francesa foca no transporte urbano no período entre 2030 e 2040.
O Vision 2020 é um caminhão-conceito que possui um design mais “limpo”, sem muitos detalhes que possam ocupar espaços, como o túnel do motor. O aproveitamento desses espaços seria para adicionar recursos, como dispositivos de absorção de impactos. Para se ter uma ideia, no Volvo conceito não há espelhos retrovisores interno ou externos, tudo é visto através de câmeras que podem também alertar ao motorista sempre que houver uma situação de risco, eliminando os pontos escuros. Outro bônus do desenho do caminhão é a aerodinâmica avançada, trazendo melhorias associadas à eficiência de combustível.
O Connect da Renault é uma proposta para as grandes cidades. O caminhão é movido por motores elétricos instalados nas rodas. Isso possibilitou desenvolver um veículo com piso inteiramente plano, oferecendo mais conforto interno para o motorista. Além disso, pelo fato de não ser movido a nenhum combustível fóssil, vai atender a demanda já necessária, mais ainda futura, dos centros expandidos, pela menor emissão de poluentes e de ruídos.
Freightliner comemora 70 anos inovando
Tendo por base a história de inovação para comemorar os 70 anos, a Freightliner, do Grupo Daimler, apresentou o Revolution Innovation Trucks durante o salão de veículos comerciais norte-americano realizado neste ano. O caminhão-conceito traz a leitura que sua fabricante tem sobre a indústria de caminhões nos Estados Unidos nos próximos anos. E como não poderia deixar de lado, a aerodinâmica e o conforto a bordo para os motoristas são os principais destaques que a Freightliner destaca sobre o Revolution.
No que se refere à eficiência de combustível, além do design aerodinâmico, o para-brisa assimétrico que contribui para reduzir o arrasto, o caminhão foi produzido com materiais mais leves. Pelo fato de possuir uma chave, denominada keyless – que permite o acesso do motorista ao caminhão sem a necessidade de maçaneta – a abertura de porta do caminhão é corrediça. Tirar as maçanetas da porta também favoreceu o coeficiente aerodinâmico. O Innovation Truck possui ainda algumas câmeras instaladas que mostram as situações das estradas, oferecendo ao motorista uma amplitude maior sobre as condições da viagem. Equipado com motor DD13 da Detroit Diesel, o propulsor permite um intervalo de 50 mil milhas entre os serviços de manutenção. O motor trabalha com a transmissão automatizada DTD 2100, construída em alumínio, o que ajudou na redução da tara.
Para a próxima década
Os detalhes do Renault Radiance, projetos dos anos 2000, dão uma clara noção de como poderá ser os caminhões nos próximos 10 anos. Isso porque não se diferenciam muito do que se tem hoje. O desenho privilegia a aerodinâmica, tema fundamental nas rodas de engenheiros e designers para a redução de consumo de combustível. Os caminhões dispensam o uso de maçaneta e no lugar dos retrovisores câmeras são instaladas para se ter uma imagem mais ampla da rodovia. Um sistema de iluminação adaptativo seria capaz de responder automaticamente a cada situação.
A bordo, impera a tecnologia embarcada que reduzirá ao máximo a intervenção humana. Reduzir os custos operacionais e aumentar a segurança por meio de uma direção eficaz e segura são funções das novas tecnologias. Obviamente que o motorista não será extinto e continuará sendo peça fundamental no transporte rodoviário de carga, mas ele terá de se aprimorar para acompanhar tamanha evolução tecnológica.
O Glider, por exemplo, foi desenvolvido levando muito do conceito que existe hoje nos caminhões estadunidenses. Seu habitáculo foi projetado para três situações: trabalho, descanso e lazer, ou seja, é preparado para ser instalado com micro-ondas, televisão, poltrona giratória, mesa etc.
A cabine Boxer da Scania
Quando a Scania apresentou o seu caminhão-conceito, denominado Cabine Boxer, ela quis propor mudanças de lei na Europa que permitissem aumentar a cabine em cerca de 30 a 40 cm e com isso conseguir maior zona de absorção de impacto em caso de acidentes. Mas como a Europa caminhava rumo às cabines chamadas “cara-chata”, o projeto não vingou.
Publicado em 10/12/2013 no Blog do Caminhoneiro,

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Falta de capacitação dos motoristas

Cargo 2842
A partir de jan/2014 todos os veículos  vendidos no país deverão ser equipados com freios ABS, incluindoônibus, caminhões e semi-reboques. Será hora de capacitar motoristas, experientes ou novatos, para utilizar essa novidade. Frear um veículo equipado com freios ABS requer uma mudança de hábito porque quem não estiver acostumado poderá reagir de forma incorreta.
Quando os sensores do ABS percebem que pode ocorrer o travamento das rodas, o sistema alivia a pressão e o pedal transmite uma vibração nitidamente sentida pelo pé. Uma reação comum é tirar o pé do freio, o que é não apenas errado, mas tremendamente perigoso em determinadas situações. Por mais experiente que seja o motorista, é uma tecnologia desconhecida e, portanto, requer treinamento.
É muito importante que frotas e empresas de transporte, seja de carga ou de passageiros, tenham em seu quadro um motorista instrutor para treinar os demais, receber novos veículos e novas tecnologias e transmitir isso aos demais.
E os motoristas que hoje compõem o quadro da empresa, sejam eles contratados ou agregados, será que estão adequadamente treinados? Será que realizam as tarefas corretamente? Em vista dos acidentes que vemos diariamente no noticiário, em especial com veículos de carga, é certo que boa parte não atende aos requisitos necessários.
Em matéria publicada na revista Transporte Mundial, edição 117 de março deste ano, tratando dos desafios do transporte da esperada safra recorde de grãos, havia um quadro com recomendações para cuidar bem dos implementos (reboques e semirreboques) e, dentre as recomendações citadas, vou destacar apenas duas:
- verificar semanalmente as condições da quinta-roda e pino-rei
- regulagem do ajustador de freio-mecânico a cada 2.000 km.
Vamos, então, fazer uma simulação. Uma viagem de ida e volta entre São Paulo – SP e Belém – PA, são quase 6.000 km. Se o ajustador de freio deve ser regulado a cada 2.000 km, saindo de São Paulo a primeira regulagem será em Colinas do Tocantins – TO, pouco antes de Araguaína. A segunda, próximo a Guaraí, também no Tocantins. E a terceira já de volta a São Paulo.
Quantos motoristas fazem isso? Se não houver uma oficina ou um mecânico para fazer a regulagem, o motorista está capacitado para realizar ele mesmo essa tarefa? E a empresa, orienta para que isso seja feito e dá o treinamento necessário? Vou mais além: a empresa tem em seu quadro alguém capacitado para dar tal treinamento e verificar, no retorno à base, se foi feito?
Um amigo sempre diz que, quando estamos numa transportadora, é fácil saber quem é motorista: é só procurar um grupo reunido jogando palitinho. Brincadeira à parte, um fato sempre me chama a atenção em tal situação.
Num grande pátio, com diversas docas com caminhões estacionados, nunca vejo os motoristas aproveitando o tempo enquanto aguardam o carregamento ou descarregamento da carga para verificar pneus, luzes, nível de água ou óleo, estado dos limpadores de para-brisas, etc.
Mesmo naquelas raras frotas que fazem uso de um check-list, é difícil encontrar um motorista aproveitando esse tempo parado para fazer algo útil e que trará mais segurança para sua viagem e para ele próprio.
É triste ver um equipamento que custa tão caro ser mal utilizado e mal cuidado. E quando o acidente acontece, vem a velha e esfarrapada desculpa de que “o freio falhou”. Pode até ser, mas muito antes falhou quem tem obrigação de cuidar dele.
Fonte: Editora Na Boléia – Texto Pércio Schneider