A Educação profissional é a base da profissão.

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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Falta de capacitação dos motoristas

Cargo 2842
A partir de jan/2014 todos os veículos  vendidos no país deverão ser equipados com freios ABS, incluindoônibus, caminhões e semi-reboques. Será hora de capacitar motoristas, experientes ou novatos, para utilizar essa novidade. Frear um veículo equipado com freios ABS requer uma mudança de hábito porque quem não estiver acostumado poderá reagir de forma incorreta.
Quando os sensores do ABS percebem que pode ocorrer o travamento das rodas, o sistema alivia a pressão e o pedal transmite uma vibração nitidamente sentida pelo pé. Uma reação comum é tirar o pé do freio, o que é não apenas errado, mas tremendamente perigoso em determinadas situações. Por mais experiente que seja o motorista, é uma tecnologia desconhecida e, portanto, requer treinamento.
É muito importante que frotas e empresas de transporte, seja de carga ou de passageiros, tenham em seu quadro um motorista instrutor para treinar os demais, receber novos veículos e novas tecnologias e transmitir isso aos demais.
E os motoristas que hoje compõem o quadro da empresa, sejam eles contratados ou agregados, será que estão adequadamente treinados? Será que realizam as tarefas corretamente? Em vista dos acidentes que vemos diariamente no noticiário, em especial com veículos de carga, é certo que boa parte não atende aos requisitos necessários.
Em matéria publicada na revista Transporte Mundial, edição 117 de março deste ano, tratando dos desafios do transporte da esperada safra recorde de grãos, havia um quadro com recomendações para cuidar bem dos implementos (reboques e semirreboques) e, dentre as recomendações citadas, vou destacar apenas duas:
- verificar semanalmente as condições da quinta-roda e pino-rei
- regulagem do ajustador de freio-mecânico a cada 2.000 km.
Vamos, então, fazer uma simulação. Uma viagem de ida e volta entre São Paulo – SP e Belém – PA, são quase 6.000 km. Se o ajustador de freio deve ser regulado a cada 2.000 km, saindo de São Paulo a primeira regulagem será em Colinas do Tocantins – TO, pouco antes de Araguaína. A segunda, próximo a Guaraí, também no Tocantins. E a terceira já de volta a São Paulo.
Quantos motoristas fazem isso? Se não houver uma oficina ou um mecânico para fazer a regulagem, o motorista está capacitado para realizar ele mesmo essa tarefa? E a empresa, orienta para que isso seja feito e dá o treinamento necessário? Vou mais além: a empresa tem em seu quadro alguém capacitado para dar tal treinamento e verificar, no retorno à base, se foi feito?
Um amigo sempre diz que, quando estamos numa transportadora, é fácil saber quem é motorista: é só procurar um grupo reunido jogando palitinho. Brincadeira à parte, um fato sempre me chama a atenção em tal situação.
Num grande pátio, com diversas docas com caminhões estacionados, nunca vejo os motoristas aproveitando o tempo enquanto aguardam o carregamento ou descarregamento da carga para verificar pneus, luzes, nível de água ou óleo, estado dos limpadores de para-brisas, etc.
Mesmo naquelas raras frotas que fazem uso de um check-list, é difícil encontrar um motorista aproveitando esse tempo parado para fazer algo útil e que trará mais segurança para sua viagem e para ele próprio.
É triste ver um equipamento que custa tão caro ser mal utilizado e mal cuidado. E quando o acidente acontece, vem a velha e esfarrapada desculpa de que “o freio falhou”. Pode até ser, mas muito antes falhou quem tem obrigação de cuidar dele.
Fonte: Editora Na Boléia – Texto Pércio Schneider

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