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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Crise na Argentina prejudica exportações de ônibus brasileiros


Exportações de ônibus auxiliaram para que os números de produção não fossem ainda mais negativos. Desempenho poderia ser melhor se não fosse a crise econômica mundial e as políticas econômicas de alguns países, como a Argentina, que, para conter a inflação cria medidas de controle de preços, não muito diferente do que o Brasil faz. Foto: Agrale
Crise na Argentina prejudica exportações de ônibus
Chassis representam a maior parcela da pauta do comércio exterior de uma das cidades que mais embarcam veículos de transportes coletivos
ADAMO BAZANI – CBN
Com queda de 25,4% em 2012 na comparação com o ano de 2011, a produção de ônibus no Brasil só não foi pior por causa de ações de incentivos governamentais, como o prolongamento do Finame PSI com taxas reduzidas e o Caminho da Escola, que adquiriu ônibus escolares, e também por causa do comércio exterior.
Enquanto as vendas para o mercado interno caíram 16,8%, as exportações de ônibus subiram 9,6% no acumulado de 2012 ante o período de 2011.
Foram embarcados em 2012, 8 mil 471 ônibus ante 7 mil 730. As exportações de ônibus em regime de CKD, desmontados, representou cerca da metade dos ônibus brasileiros vendidos para outros países: 4 mil 427 unidades em 2012.
Para o mercado interno a tendência foi reversa à das exportações, com, expressivas quedas: em 2012 foram licenciados 28 mil 809 ônibus ante 34 mil 635 no ano anterior.
Os dados são da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
Não é errado dizer que as vendas externas diminuíram os impactos da queda do mercado interno, motivada pelo desaquecimento econômico brasileiro, com um PIB – Produto Interno Bruto – em torno de 1%, e pela entrada em janeiro de 2012 da fase sete do Proconve – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores que, com base nos padrões internacionais de redução de emissões de poluentes Euro V, deixou os ônibus menos poluentes, porém mais caros, o que provocou renovação antecipada em 2011, que foi um ano recorde de vendas e beneficiou montadoras, encarroçadoras e revendedoras que souberam fazer poupança para enfrentar 2012, cujo desaquecimento não foi surpresa para ninguém.
Mas se as exportações ajudaram o setor de produção de ônibus, elas poderiam ser melhores.
Envolto a uma crise internacional, com origem nos Estados Unidos e na Europa, todo o mercado mundial se mostrou receoso a continuar com investimentos. Os ônibus são reflexos de investimentos públicos, mesmo sendo adquiridos por companhias privadas, e quase todos os governos operaram no alerta.
Em alguns países, a conjuntura local também prejudicou as exportações de ônibus. Destaque para a Argentina.
A maior parte da pauta de exportações de muitas regiões industriais brasileiras é para a Argentina.
Em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o principal item de exportação para diversos países é justamente o chassi de ônibus. A diminuição de vendas dos veículos de transporte coletivo feitos em São Bernardo para o exterior foi de 21%.
Só para a Argentina, um dos principais mercados consumidores de São Bernardo do Campo, o total de exportações de diversos produtos, inclusive os ônibus, caiu 11,8%.
A balança comercial do ABC Paulista teve retração de 13% em relação a diversos produtos. Em 2012 foram exportados US$ 5,88 bilhões ante US$ 6,19 bilhões de 2011.
A situação na Argentina também prejudicou as vendas de comerciais leves. Pelo menos 83% da pauta de exportações de São Caetano do Sul são correspondentes às vendas para a Argentina. A queda dos embarques da cidade para este país foi de 37%. O principal produto exportado é a Picape Montana, da GM, cujas vendas externas tiveram queda de 48%.
São Bernardo do Campo é a quarta cidade do Estado de São Paulo que mais exporta para diversos países e os ônibus respondem por boa parte destes números. Fica atrás apenas de São Paulo (capital), São José dos Campos e Santos.
A queda das exportações para a Argentina se explica pela conjuntura global e pela postura adotada pela presidente Cristina Kirchner que adota medidas de controle dos preços para conter a inflação, em vez da criação de uma política econômica consistente, não muito diferente do que Guido Mantega e Dilma Rousseff fazem no Brasil, com o preço da gasolina no ano passado, com os descontos no IPI, redução das tarifas de energia elétrica com o aumento depois da gasolina este ano e pedidos às cidades que pesam mais no IPCA para congelarem as passagens de ônibus urbanos.
Publicado em 14/02/2013 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

Um comentário:

  1. Caro Adamo,

    Muito oportuno o conteúdo socializado sobre os problemas de exportações que vem gerando desde 2012. Os clientes argentinos do segmento de ônibus estão tendo sérios problemas para montagens dos veículos. Diversos fornecedores brasileiros que foram desenvolvidos para atender os clientes argentinos estão sendo penalizados. A realidade atual exige mais habilidades nas negociações entre os dirigentes do Brasil e Argentina. Que tenhamos um melhor 2013 nas exportações para a Argentina1

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