A Educação profissional é a base da profissão.

A Educação profissional é a base da profissão.
Arquivo HighPluss Treinamentos, 2017.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Novas faixas de ônibus e velho desrespeito

invasão de faixa de onibus
Faixa de ônibus na Avenida Rio Bonito, recém inaugurada, foi vítima de várias invasões de carros particulares. Isso ocorre também nas faixas mais antigas. Além de educação, que falta em muitos motoristas de carros particulares, punições devem ser mais rígidas. Pelo perfil dos motoristas no Brasil, as faixas não serão respeitadas “apenas pela necessidade” de o bem coletivo ser priorizado. Foto: Robson Ventura / Folhapress.

Novas faixas de ônibus reduzem tempo de viagem, mas motorista de carro desrespeita espaço coletivo
Trajetos estão até 15 minutos mais rápidos, mas individualismo falou mais alto.
ADAMO BAZANI – CBN

É verdade que a melhor forma de oferecer velocidade e conforto aos transportes coletivos por ônibus é a criação de corredores exclusivos, totalmente segregados do trânsito, que apresentam estações de embarque no mesmo nível do assoalho dos veículos, pagamento da passagem antes da entrada no ônibus e painéis com informações sobre linhas e horários, além de pontos de ultrapassagem, para evitar que se façam filas nas paradas atrasando as viagens.
A criação de faixas de ônibus, pintadas nas vias comuns, é considerada solução paliativa para transportes, mas muitas vezes é o único meio disponível de priorizar os deslocamentos coletivos no curto prazo ou em locais onde não há a menor possibilidade mais de qualquer intervenção viária.
Mas independentemente das discussões sobre a melhor forma de oferecer mobilidade, há algo mais básico e esquecido: falta educação ao motorista de carro individual e isso precisa ser revertido de diversas maneiras que vão desde trabalhos de conscientização e campanhas até punições severas de fato.
Nesta segunda-feira, foi o primeiro dia útil de operação de cinco novas faixas de ônibus, que totalizam 9,6 quilômetros e fazem parte de um projeto da Prefeitura de São Paulo de implantar 130 quilômetros até o final do ano.
As faixas ficam na Avenida Rio Bonito, Avenida Interlagos, Avenida Olívia Guedes Penteado, Avenida Senador Teotônio Vilela e corredor da Avenida Brigadeiro Gavião e Avenida Barão de Jundiaí.
As vias para ônibus reduziram entre 5% e 15% o tempo de viagem, havendo ganhos de até 15 minutos para os passageiros de ônibus que ocupam melhor o espaço urbano.
Estes números poderiam ser melhores se não fosse o individualismo, o desrespeito e a falta de senso de cidadania de muitos motoristas de carros.
A reportagem do Jornal Agora São Paulo esteve por meia hora em cada faixa e não foi difícil flagrar as invasões.
Neste curto espaço de tempo, de acordo com o jornal, foram:
Avenida Senador Teotônio Vilela: 34 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Interlagos: 20 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Rio Bonito: 41 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Avenida Olívia Guedes Penteado: 35 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
Brigadeiro Gavião Peixoto: 36 invasões de carros, motos e caminhões no espaço do transporte público.
A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego diz que já aplica multas, que são de R$ 53,20 e 3 pontos na carteira, mas que como as faixas foram recentemente implantadas, ainda o órgão trabalha mais na conscientização dos motoristas.
No entanto, com muito ou pouco tempo de implantação, as faixas de ônibus têm siso desrespeitadas cada vez mais por pessoas que usam o carro como armadura e o espaço público como seu reinado particular.
O culto ao automóvel é tão grande que ele passou a ser uma extensão do próprio corpo e mente da pessoa na área urbana e, convenhamos, o motorista brasileiro ainda não sabe agir coletivamente.
Assim, quando ele está ao volante, o que interessa é só ele.
Tem de doer na consciência sim, mas mais no bolso ainda.
Ou alguém aqui acha que inicialmente a lei do cinto de segurança “pegou” porque as pessoas pensavam na sua segurança ou na dos outros?


Publicado em 19/06/2012 porAdamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

Nenhum comentário:

Postar um comentário