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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Estimativa de queda na produção de ônibus pode ser revertida com pacote

ônibus
Carroceria de ônibus em fase de finalização. A medida de incentivos à indústria anunciada pelo Governo Federal podem reverter as estimativas de queda nas vendas de ônibus e caminhões em 2012. Mesmo assim, a indústria pede ações menos pontuais e mais estruturais.
Medidas de incentivo à indústria podem reverter estimativas de queda na produção de ônibus
Mesmo assim, indústria diz que incentivos devem ser maiores para contemplar mais setores.
ADAMO BAZANI – CBN

Representantes de empresas que produzem ônibus e caminhões se mostraram otimistas em relação ao pacote de incentivos à indústria, anunciado pelo Governo Federal na semana passada. Os objetivos são diminuir os efeitos da desaceleração econômica e proteger a indústria dos produtos importados, que entram no País com preços mais baixos, em especial os chineses.
O pacote é destinado para 15 setores diferentes, mas o de máquinas e equipamentos e o de ônibus e caminhões devem ser os mais beneficiados, de acordo com analistas econômicos.
Entre as medidas que mais devem impactar positivamente a fabricação de ônibus e caminhões estão a desoneração tributária sobre as folhas de pagamento e diminuição do custo do crédito para a aquisição dos veículos.
A contribuição sobre as folhas de pagamento de 20% foi substituída pela incidência de 1% sobre a Receita Bruta.
O índice de 1% foi calculado por técnicos do Ministério da Fazenda para que realmente a substituição significasse queda no total de impostos pagos. A alíquota neutra, ou seja, aquela que daria no mesmo se houvesse a substituição, é de 2,19% para o setor de veículos comerciais pesados.
Outras medidas importantes dizem respeito ao crédito.
Por serem de alto valor, normalmente ônibus, caminhões, máquinas e equipamentos são adquiridos por meio de financiamento.
E algumas linhas se tornaram mais interessantes para os compradores.
Exemplo é a PIS – Finame, do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
As taxas de juros que eram de 10% ao ano foram reduzidas neste período para 7,7%. O prazo para pagamento subiu de 96 meses para 120 meses.
O valor financiado agora pode chegar a 100% do bem. Antes o teto era de 80%.
Com este pacote, as estimativas de queda nas vendas e produção de ônibus e caminhões podem ser revertidas.
No ano passado, os empresários de ônibus e donos de caminhões anteciparam a renovação de suas frotas prevista para 2012. Isso porque, desde janeiro está em vigor a fase P 7 do Proconve – Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, com base nas normas Euro V, que deixam os veículos a diesel bem menos poluentes. A redução na emissão de NOx – óxidos de nitorogênio pode chegar a 60% com o uso do diesel S 50 (com menos partículas de enxofre) e a queda nos materiais particulados pode ser de 80%.
Mas estes mesmos veículos para alcançarem estes níveis de menores emissões necessitam de tecnologias mais avançadas e ainda inéditas no mercado brasileiro, o que eleva o preço final dos ônibus, caminhões e vans em até 15%.
Então, os frotistas se apressaram para não terem de pagar estes maiores valores.
Para alcançarem as metas de menor poluição, muitos modelos usam o sistema de Redução Catalítica Seletiva- SCR, que depende da adição de um fluido a base de uréia industrial, o ARLA 32. O fluido é colocado num tanque separado do tanque de combustível e injetado no sistema de escape dos ônibus e caminhões.
As montadoras dizem que os veículos de padrão Euro V consomem menos combustível, o que compensaria o custo do ARLA.
Mesmo assim, os empresários preferiram não arriscar e compraram ônibus e caminhões com tecnologia de redução de emissão de poluentes antiga, a Euro III. Os veículos Euro III não puderam ser fabricados desde janeiro, mas a comercialização foi possível até o último dia 31 de março de 2012.
Apesar desta antecipação, o mercado entende que ainda há muita frota que tem de ser renovada. As eleições municipais de outubro se aproximam e no contexto de Copa do Mundo e Olimpíadas, as cidades tentam modernizar seus sistemas de mobilidade, o que vai resultar em compra de mais ônibus novos. Essas obras de mobilidade e as obras típicas de épocas de eleições também demandam para mais caminhões, principalmente os voltados para a área de construção civil.
O mercado acredita que antes das medidas anunciadas pelo Governo Federal tais obras e serviços de transportes seriam prestados com veículos renovados no ano passado ou mais antigos.
No entanto, nem tudo é otimismo.
Apesar de ser visto como positivo, o pacote é entendido como muito pontual e que não resulta em alterações estruturais na política industrial.
A desoneração fiscal e proteção à indústria nacional dos importados deveriam contemplar, na opinião do setor, medidas de ajuste tributário e de produção, inclusive com reformas nestas áreas.
Se o pacote de estímulos industriais beneficiou alguns setores, para “cobrir a queda de arrecadação”, o Governo onerou outros.
É o caso de bebidas frias, que terá aumentos de alíquotas. Isso deve afetar não apenas bebidas alcoólicas, mas também o setor de refrigerantes, composto por diversas médias e pequenas distribuidoras que se veem em risco.
A falta de ações rápidas em relação à triangulação dos produtos importados também é alvo de críticas.
Triangulação é quando um país que possui restrições de produtos em outra nação usa um terceiro país para passar seus produtos.
É o caso dos produtos chineses via Uruguai.
Há restrições em relação à entrada dos bens chineses no Brasil, principalmente de ordem tributária.
Mas no contexto do Mercosul, o Uruguai é parceiro comercial do Brasil.
Alguns produtos têm a maioria dos componentes fabricada na China e são montados no Uruguai.
A crítica é que até o Brasil tomar alguma atitude em relação a esta triangulação, os chineses já encontraram outro país para a prática.
O temor em relação à China é pelo baixo custo de seus produtos, que mesmo com os impostos de importação ainda saem mais baratos que os similares nacionais.

Publicado em 09/04/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

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